quarta-feira, 10 de abril de 2013

“Com a virtualização do trabalho, tivemos muitos ganhos, mas fomos descobrindo problemas a serem enfrentados, como a menor variedade de movimentos, a necessidade maior de concentração, a sensação de aceleração do tempo, o isolamento e a frustração gerada pela dependência da máquina, entre outros”


Leal Júnior (E) e Colombo foram mediados pela diretora da Secretaria de Gestão de Pessoas do TRF3, Rosana Moraes Zonaro
Leal Júnior (E) e Colombo foram mediados pela diretora da Secretaria de Gestão de Pessoas do TRF3, Rosana Moraes Zonaro


“Inovação tecnológica e as mudanças provocadas no trabalho” foi o tema desenvolvido no início desta tarde (12/3) no Seminário Atualidade e Futuro da Administração da Justiça. Participaram da mesa redonda o presidente da Comissão de Saúde do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), desembargador Cândido Alfredo Silva Leal Júnior, e o diretor da Secretaria de Gestão de Pessoas do tribunal, Carlos Alberto Colombo.
Leal falou da preocupação da corte com a mudança de perfil no trabalho dos servidores após a implantação do processo eletrônico, que substituiu o autos em papel. “Com a virtualização do trabalho, tivemos muitos ganhos, mas fomos descobrindo problemas a serem enfrentados, como a menor variedade de movimentos, a necessidade maior de concentração, a sensação de aceleração do tempo, o isolamento e a frustração gerada pela dependência da máquina, entre outros”.
“Precisamos fugir do ciclo perigoso desconforto, mal estar, doença e incapacidade”, afirmou o desembargador. Para enfrentar essa realidade, ele apontou algumas soluções que estão sendo adotadas na 4ª Região como mapeamento dos problemas, estudo dos impactos, adaptação da ferramenta ao usuário e criação de uma cultura institucional da saúde, incluindo a preocupação com esta em eventos e pautas.
Para Leal, o principal objetivo deve ser buscar uma gestão sustentável, na qual o trabalho não seja apenas fonte de sobrevivência, mas também de prazer e realização. “Devemos ser sujeitos e não objetos de nosso trabalho”, afirmou.
Carlos Alberto Colombo fez uma reflexão sobre o contexto histórico que vivemos, o crescimento acelerado da tecnologia e o fim de muitas rotinas humanas. “Assistimos a um esvaziamento de tarefas. Nossa preocupação é criar uma atmosfera de acolhimento a esses trabalhadores que de repente se viram privados de sua rotina. Essa transição deve ser feita com respeito à dignidade dos servidores”, observou.
O objetivo da Secretaria de Gestão de Pessoas é adaptar e reinserir esse contingente de trabalhadores. Para Colombo é essencial que a instituição desenvolva um modelo de educação corporativa que acompanhe as mudanças. Como exemplo, ele citou a redução de 42% no volume de trabalho ocorrida no setor de distribuição da corte e a necessidade de recolocação dos servidores em outros setores.
“O momento é de muita complexidade. Nosso paradigma ético passa por duas frentes: estratégia individual e estratégia coletiva”. Conforme Colombo, individualmente a ação se dá pela escuta de cada servidor, acompanhamento psicológico e redirecionamento deste para novas tarefas. Em nível coletivo, o diretor fala de mudança no perfil dos cargos, que deverá modificar a estrutura dos concursos da instituição. “Antigamente, precisávamos de mais técnicos judiciários que analistas, hoje isso mudou e precisamos de mais servidores com conhecimento específico”.

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